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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sugestões de filmes on line


Há dois documentários que podem ajudar a pensar os assuntos tratados em sala hoje. "Comprar, Tirar, Comprar" é útil para discutir a obsolescência programada, a neofilia, o consumo alienado. "Engenharia dos Animais" traz o debate sobre o trabalho como atividade tipicamente humana.


Comprar, Tirar, Comprar, de Cosima Dannoritzer


 

Comprar, tirar, comprar from Dinero Libre on Vimeo.



Ciência Viva - Engenharia dos Animais


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terça-feira, 25 de outubro de 2011

O trabalho na música brasileira

Selecionamos algumas músicas que permitem discutir sobre concepções do trabalho presentes na música brasileira. Que outras músicas vocês indicam? De que forma elas podem ser articuladas à discussão feita por Cotrim (2002)?



O Trabalho me Deu o Bolo

Moreira da Silva e João Golô


Enquanto eu viver na orgia

Não quero mais trabalhar

Trabalho não é para mim

Ora, deixa quem quiser falar.



Quando eu tenho pesadelo
Vou sonhar com espantalho
Foi quando eu ouvi ao longe
Alguém falar em trabalho
Eu agora resolvi
Que não hei de ser mais tolo
Marquei encontro com trabalho
Trabalho me dá o bolo.
(É sempre assim)
Fui trabalhar, trabalho estava cruel
Eu disse ao patrão: Senhor, me dá meu chapéu
Eu não quero trabalhar, trabalho vá pro inferno
 Se não fosse meu amor, nunca que eu botava um terno."

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O bonde São Januário
(Wílson Batista e Ataulfo Alves)


Quem trabalha é que tem razão
Eu digo e não tenho medo de errar
O bonde São Januário
Leva mais um operário:
Sou eu que vou trabalhar

Antigamente eu não tinha juízo
Mas hoje eu penso melhor no futuro
Graças a Deus

Sou feliz, vivo muito bem
A boemia não dá camisa a ninguém
É, digo bem

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Vai trabalhar vagabundo 

Chico Buarque
 (Para o filme Vai trabalhar vagabundo de Hugo Carvana) 

Vai trabalhar, vagabundo
Vai trabalhar, criatura
Deus permite a todo mundo
Uma loucura
Passa o domingo em família
Segunda-feira beleza
Embarca com alegria
Na correnteza

Prepara o teu documento
Carimba o teu coração
Não perde nem um momento
Perde a razão
Pode esquecer a mulata
Pode esquecer o bilhar
Pode apertar a gravata
Vai te enforcar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Vê se não dorme no ponto
Reúne as economias
Perde os três contos no conto
Da loteria
Passa o domingo no mangue
Segunda-feira vazia
Ganha no banco de sangue pra mais um dia

Cuidado com o viaduto
Cuidado com o avião
Não perde mais um minuto
Perde a questão
Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Passa o domingo sozinho
Segunda-feira a desgraça
Sem pai nem mãe, sem vizinho
Em plena praça
Vai terminar moribundo
Com um pouco de paciência
No fim da fila do fundo
Da previdência

Parte tranquilo, ó irmão
Descansa na paz de Deus
Deixaste casa e pensão
Só para os teus
A criançada chorando
Tua mulher vai suar
Pra botar outro malandro
No teu lugar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai te enforcar
Vai caducar
Vai trabalhar 

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Mama África
Chico Cesar 


Mama África
a minha mãe,
é mãe solteira
e tem de fazer mamadeira
todo o dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas Casas Bahia (2x)

Mama África tem
Tanto que fazer 
Alem de cuidar neném
Alem de fazer denguim
Filhinho tem que entender
Mama Africa vai e vem
Mas não se afasta de você.

Mama África
a minha mãe,
é mãe solteira
e tem de fazer mamadeira
todo o dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas Casas Bahia

Quando mama sai de casa
seus filhos se olodunzam
rola o maior jazz
Mama tem calos nos pés
Mama precisa de paz
Mama não quer brincar mais
filhinho dá um tempo
é tanto contratempo
no ritmo de vida de Mama

Mama África
a minha mãe,
é mãe solteira
e tem de fazer mamadeira
todo o dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas Casas Bahia (2x)

 (Deve ser legal, ser Negão no Senegal)

Mama África
a minha mãe,
é mãe solteira
e tem de fazer mamadeira
todo o dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas Casas Bahia (2x)

Mama África 
a minha mãe
a minha mãe
a minha mãe.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Morte no trabalho

Questão: analise a reportagem a seguir, publicada no portal Gambare:

Japão terá que pagar indenização por morte em trabalho
Corte de Nagoya diz que o governo deve pagar pensão à família de um ex-funcionário da Toyota que morreu por excesso de trabalho
por Redação Tudo Bem 11.12.2007

Em uma conferência para a imprensa, a viúva Hiroko Uchino, mostra a foto de seu marido que faleceu em 2002 depois de trabalhar 106 horas extras em um mês
A corte da província de Nagoya considerou na sexta-feira 30 que o antigo funcionário da Toyota Motor Kenichi Uchino morreu em 2002 por excesso de trabalho, conhecido como “karoshi”. A decisão foi contrária à do Ministério do Trabalho que havia recusado benefícios à viúva por considerar que a morte do trabalhador não havia acontecido por este motivo.


O funcionário, que tinha apenas 30 anos quando morreu no dia 9 de fevereiro de 2002, havia trabalhado 109 horas extras no mês em que faleceu, e pelo menos 80 horas extras nos 6 meses anteriores. O juiz que presidiu a sessão, Toshiro Tamiya, afirmou que Uchino “estava tão cansado que não conseguia nem brincar com seus filhos” relacionando a sua morte à quantidade de horas que dedicava ao trabalho na fábrica de carros da Toyota na província de Aichi.


O processo foi iniciado pela viúva de Uchino, Hiroko, 37 anos, que exigiu a revisão da decisão que rejeitou as alegações de que o empregado, responsável pela checagem de qualidade da fábrica de montagem havia falecido por excesso de trabalho.
Morte por karoshi são difíceis de serem comprovadas devido ao longo tempo de exposição ao estresse e à quantidade de variáveis envolvidas nesse tipo de morte. Isso faz com que os processos se arrastem por diversos anos, o que desestimula as famílias de perseguir indenizações, além do fato de que é muito arraigada na cultura japonesa a idéia de que o trabalho duro é uma coisa louvável.


O ano de 2006 registrou até março 355 casos de doenças graves por causa de trabalho em excesso, um aumento de 7,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Desse total, 147 pessoas morreram. O aumento é atribuído à disseminação de trabalhos informais de de meio-período, uma vez que esse tipo de trabalhador não possui a segurança que possibilite trabalhar menos horas.


Uchino, que estava na empresa desde 1989, desmaiou durante o expediente e morreu de falha cardíaca no hospital. A Toyota se recusou a comentar a decisão afirmando que a disputa judicial envolvia apenas o governo e a família Uchino, mas disse que está tomando medidas para que seus empregados não trabalhem demais.
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 11/12/2007.